O vento que sopra lá na Santa Cruz, em Rio Branco do Sul, não traz apenas o cheiro de mato e a maresia da represa; ele traz segredos que os mais velhos guardam a sete chaves, mas que, volta e meia, escapam na ponta da língua.
Dizem, e quem vive ali perto do morro que fica na frente da antiga Igreja Assembleia, jura de pés juntos, que quando a lua resolve espiar a represa por detrás das nuvens, o cenário muda. Lá no alto, onde a terra encontra o céu, não é o brilho das estrelas que chama a atenção. É um clarão diferente, uma luz que não esquenta, mas que arrepia até o último fio de cabelo.
Os antigos, com aquele jeito de quem já viu o mundo girar muitas vezes, contam que ali vivia uma moça. Dizem que era de uma beleza de parar o trânsito, dessas que a gente só vê em sonho. O destino, porém, pregou uma peça cruel: no dia em que ela vestiria o branco para jurar amor eterno, a vida lhe foi tirada por uma fatalidade que o povo prefere não detalhar.
Pois bem. A conta é que, de tempos em tempos, a noiva desce o morro. Dizem que ela vem flutuando, radiante, vestida com aquele traje nupcial que brilha como se fosse feito de luar.
Quem já deu de cara com ela conta que é uma cena de arrepiar, uma mistura de beleza e mistério que deixa qualquer um sem fala.
E se não bastasse o fantasma da noiva, a região de Santa Cruz anda dando o que falar. Não faz muito, a represa virou assunto de gente grande. Dizem que objetos estranhos, coisas que não são deste mundo nem daquela terra, foram vistos rondando as águas. Estes objetos estranhos estão lá no Google Maps para que quiser ver, perto das torres de alta tensão, do outro lado da represa.
Mistérios do nosso Rio Branco, coisas que a gente não explica, apenas sente quando o vento sopra forte lá da banda da Santa Cruz.
Esta é mais uma história que o povo conta, será mentira ou será verdade, tirem suas conclusões.
