Dizem por aí que o Morro da Lorena, em Rio Branco do Sul, guarda um valioso segredo dos jesuítas enterrado em suas matas. Sabendo disso, uma empresa de São Paulo contratou cerca de dez homens para buscarem a riqueza e, durante dois anos, o grupo enfrentou o trabalho pesado de escavar um local íngreme e de difícil acesso.
Entre eles estava um sujeito destemido, homem de coragem testada, que não se abatia pelo cansaço e nem pelo mistério que rondava aquela terra.
Certo dia, enquanto trabalhava isolado na encosta ao lado de um companheiro, o ar gelou e algo sobrenatural aconteceu: o amigo foi incorporado por uma criatura medonha, alta, entroncada e de olhar faiscante.
Sem demonstrar medo, o homem corajoso perguntou se podia mandar rezar missas ou acender velas para ajudar aquela alma. O ser, no entanto, deu uma risada seca e avisou que era a própria maldade pura, tendo feito tantas ruindades em vida que nem o inferno o aceitou, tornando qualquer oração inútil.
Antes de desaparecer, a criatura revelou o verdadeiro segredo: o tesouro estava sim por perto e qualquer um poderia encontrá-lo, mas com uma condição divina.
Quem colocasse as mãos na riqueza teria obrigatoriamente que usá-la para fazer o bem, construindo um lar para crianças abandonadas ou um asilo para idosos desamparados.
Fiel ao que ouviu, o homem fez questão de espalhar a mensagem para todos os conhecidos da região.
Sem nada encontrar após dois longos anos de buscas frustradas, a empresa paulista finalmente desistiu, demitiu todo mundo e foi embora.
Hoje, restam no Morro da Lorena apenas os buracos cobertos pelo mato e a certeza de que a riqueza continua lá, oculta e protegida, só aguardando uma alma verdadeiramente boa para ser revelada.
Esta é mais uma história que o povo conta, será mentira, ou será verdade, tirem suas conclusões.
