Na madrugada fria de junho de 2012, a neblina envolvia a serra entre Cerro Azul e Rio Branco do Sul, e a escuridão era cortada apenas pelo farol da velha Honda de Romualdo. Acostumado à solidão, o motociclista sentia um arrepio incomum ao subir o Bromado, até que a luz pinçou uma figura inacreditável no asfalto: uma mulher. Alta e esguia, ela vestia um vestido longo e justo de um vermelho vibrante, que parecia quase sangrar na penumbra. Os sapatos vermelhos marcavam um ritmo firme, levando Romualdo à incredulidade.
Ele passou por ela sentindo um fraco perfume de flores noturnas, e a curiosidade o fez parar. Ele esperou em uma curva à frente, mas a mulher desapareceu no meio da névoa. Após quase meia hora, Romualdo acelerou, convencido de que o cansaço o enganara, mas o pavor mal havia diminuído quando, apenas um quilômetro depois, ele a viu de novo, andando com o mesmo passo firme, desafiando toda a lógica e a impossibilidade de ter reaparecido.
Desta vez, Romualdo não parou. Ele acelerou, mas a curiosidade mórbida o forçou a virar a cabeça ao passar ao lado da figura, e o que ele viu congelou o sangue em suas veias. O corpo ainda estava envolto no carmesim, mas o rosto era agora uma caveira grotesca, de ossos amarelados e sorriso vazio. O que restava de pele estava putrefato, e nos buracos dos olhos, duas chamas vermelhas e furiosas dançavam, incandescentes.
O grito ficou preso na garganta dele. Ele acelerou a moto ao máximo, o motor berrando, fugindo desesperadamente do horror. Chegou a Rio Branco do Sul tremendo incontrolavelmente, incapaz de dormir sem reviver aquelas chamas.
A Revelação da Maldição da Estrada
Meses depois, atormentado, ele finalmente encontrou coragem para perguntar aos mais antigos da região sobre acidentes no Bromado. Foi então que ele soube a verdade: há muitos anos, uma jovem vestida de vermelho para um baile sofreu um acidente fatal naquela mesma subida. O carro capotou, e ela morreu com ferimentos horríveis após bater a cabeça no solo.
Romualdo sentiu um calafrio terrível ao entender que a mulher não percebeu que havia morrido e continuava presa na estrada, eternamente confusa na neblina fria. O motoqueiro nunca mais passou pelo Bromado depois da meia-noite, sabendo que a Mulher de Vermelho ainda está lá, e que o convite dela é para uma viagem final que ele não está disposto a fazer.
