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Vamos falar de política pública sim

Vamos falar de política pública sim

Daniel Galani é advogado e escreve sempre sobre política a cada 15 dias | @danielgalani

Quando resolvemos falar de saúde pública em época de pandemia nos colocamos em uma situação delicada, uma vez que todos nós estamos à mercê dos acontecimentos da pandemia. Hora ou outra precisamos recorrer ao sistema de saúde pública, ainda mais com a polarização política atual, onde todo mundo entende de tudo, inclusive de saúde pública.

De modo geral a população alega ser bem atendida nos ambientes hospitalares, sendo muito difícil reclamar de algo em relação aos profissionais da saúde que se dedicam de forma incansável e corajosa para ajudar a população. Obviamente que algumas exceções existem.

Mas há falta de estrutura, que vai de uma simples porta de vidro substituída por um madeirite até a falta de médicos e uma estrutura mínima de atendimento aos familiares.

Vemos ações midiáticas das secretarias de saúde que geram incongruências, onde o próprio secretário está arrumando cadeiras enquanto filas enormes se formam, mas não fazem exames com resultados rápidos em familiares que tiveram contato com seu parente adoentado.

Recentemente precisei utilizar o sistema de saúde de São Sebastião. Vi pessoas que estavam esperando há 8 horas por atendimento. Eu esperei umas 5 horas e não sai satisfeito com a resposta que me foi dada, de forma que voltei para poder entender o porquê a médica havia mantido meu parente internado.

Alguns poderão dizer que quem reclama é oposição. Porém, enquanto o governo só fala bem de si e prepara o caminho dos seus escolhidos, nós pagamos o preço de não mostrarem a verdade dos acontecimentos e não podemos nos calar diante da covardia dos intocáveis do poder.

É o preço da incompetência administrativa, que gastou dinheiro público desnecessariamente ano passado, que contratou sem o menor pudor, e que geriu a crise pensando unicamente na eleição. Que ao contrário das outras cidades, continua a fazer política, fazer “lives” em página pessoal e não na institucional da prefeitura, obrigando o cidadão comum a seguir estas personalidades inflando seu ego e a quantidade de seguidores ferindo de morte o princípio da impessoalidade na administração pública.

Cidades bilionárias em nosso litoral que tem o teto do pronto atendimento com buracos, que faltam médicos e profissionais para agilizar o atendimento. Esta é a realidade que vai além do marketing. Gestões que fingem fase vermelha para não ficarem mal com o governador do Estado, que não tem coragem de assumir o controle da situação e decidir o que é melhor para o seu povo.

Eles aglomeram no serviço público, aglomeram nos testes rápidos e vergonhosamente se quer vacinaram as profissionais que lá estão voluntariamente. Não tiveram coragem de melhorar o transporte público para evitar super lotação e assim o contágio, mas mandam usar máscara e não sair de casa.

São completamente incompetentes de elaborar um plano de ajuda ao comerciante local, seja empréstimos, financiamento ou até ajuda social, pois se concentraram em fazer concursos duvidosos onde seus parentes já foram chamados. Fecham lojas e o comércio, mas não cortam na própria carne, diminuindo seus rendimentos e a quantidade de contratados para que um bom plano seja viabilizado.

Assim, estes senhores que aparecem em lives e fotos sorridentes, fazendo-se passar pelos salvadores da pátria, na verdade são os responsáveis pelo agravamento da crise. E isto abrange todos os poderes, em todos os níveis. Talvez, e só talvez, sejamos um país de terceiro mundo porque nossos políticos agem como de quarto mundo.

O discurso está bem longe da prática. Eleitos sobre o discurso do tecnicismo agora acumulam parentes e mais incompetência.

E nós? Pagamos o preço!

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