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Intervenção eterna e crise na saúde

Intervenção eterna e crise na saúde

Daniel Galani é advogado e escreve sempre sobre política a cada 15 dias | @danielgalani

A intervenção na Santa Casa de Saúde de São Sebastião ocorreu no governo Juan (2005) e dura até os dias atuais. Uma Intervenção que tinha por objetivo sanear as contas da entidade e após isso, a intervenção cessaria, o que nunca aconteceu.

Na verdade, o que era para ser provisório se tornou permanente, o que era para diminuir gastos virou uma peneira de gastos. Se era para gerir melhor, acabou por ser o lugar pior gerido de toda uma cidade. Virou cabide de empregos, curral político, haja visto as demissões um dia após a eleições de pessoas que não estavam alinhados ao governo municipal.

O crime de responsabilidade vem se consolidando junto ao crime de irresponsabilidade político administrativa, de forma que a dívida assumida no governo Juan, passando pelo Ernane e agora nas mãos de Felipe, quase foi saneada e hoje se encontra próximo dos 80 milhões de reais. Ações trabalhistas “pipocam” por direitos básicos que não são pagos, inclusive aqueles que foram demitidos por política ainda correm atrás de seus direitos.

Tudo a mando do Alcaide, dizem as más línguas, ou boas, vai saber.

O que nos interessa é que a Irmandade do Sagrado Coração, entidade formada por irmãos católicos caiu nas mãos dos políticos que há mais de 15 anos sequer prestam contas de seus patrimônios aos associados e que está conivente com a intervenção.

Para a administração pública municipal resta a prova de sua incompetência administrativa, aumentando a dívida e tornando o hospital, hoje administrado pelo primo preferido do prefeito em um lugar onde os gastos são muito mal controlados e os empregos com salários que ultrapassam 50.000,00 são fartos e distribuídos aos amigos do Rei. Usina de oxigênio falha, estrutura caótica, trabalhadores insatisfeitos, fornecedores com dívidas que acumulam milhões… este é o cenário que encontramos em nossa saúde.

São Sebastião segurou mais de 20 pessoas internadas na “fase vermelha” por causa do pagamento de R$ 1.350,00 por pessoa, piorando a categorização de nossa cidade perante o Governo do Estado, depois de pressionado pelas cidades vizinhas que querem o avanço de fase, transferiu quase todos para o Hospital Regional de Caraguatatuba. Vivemos assim, de aproveitadores que não resolvem o problema da Intervenção por conveniência político eleitoreira, que administram uma cidade pensando em seus bolsos e nas eleições.

Enquanto isso, na cidade vizinha, o prefeito Colucci anuncia que trabalha em um plano para fazer cessar a intervenção que também aconteceu por lá. Pediu 6 meses de prazo. A diferença entre administradores e aventureiros se dá com o planejamento e resultados, não nos venham colocar alguém sem experiência e dizer que salvou a saúde só porque querem que ele seja o próximo candidato a prefeito pela máquina, insto não vai colar.

São Sebastião não pode pagar o preço destes políticos sem escrúpulos. Nossa cidade precisa focar em gestão pública de qualidade e ela passa pela exigência de que a Intervenção sobre a Santa Casa cesse com o pagamento de toda a dívida e o saneamento das contas, devolvam para a sociedade civil organizada, quem sabe assim parem de contratar as namoradinhas dos políticos e contratem profissionais realmente competentes.

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